Acelino “Popó” Freitas


Nosso entrevistado é um dos maiores pugilistas brasileiro e do mundo, Acelino Popó Freitas, medalha de Prata no Pan Americano de Mar del Plata como amador, Campeão nacional, Mundo Hispano WBC, campeão Latino IBF, campeão Norte Americano versão WBO e WBA em duas divisões.

Como e porque você começou a treinar Boxe?
Eu via meu irmão Luis Cláudio se esforçando no esporte, ajudava minha mãe e a gente, comprava comida, conseguiu comprar até uma TV, então passei a tentar vencer através do Boxe, cheguei a escrever no meu caderno de escola “Popó, Campeão Mundial”.

Vindo de uma família de boxeadores ajudou ou foi mais difícil na sua formação?
Foi mais fácil, meu irmão Luís Cláudio foi a minha inspiração.

Quais foram as maiores dificuldades no início da carreira?
A pobreza, em todos os  aspectos, imagine você treinar sem uma alimentação adequada e até com fome muitas vezes. Mas eu sabia que Deus nos ajudaria através do Boxe, então eu acreditei.

Conte-nos sobre sua experiência no Pan Americano de Mar del Plata seus adversários e os combates.
Foi importante, uma experiência muito boa que me ajudou, lembro que tive que vencer um portoriquenho e um colombiano, para disputar o ouro.

5- Quem foi o adversário mais duro neste Pan?
Júlio Valladares, que me venceu na final. Ele era favorito, do boxe cubano. Mas consegui garantir a prata para o Brasil, após 16 anos.

Conte um pouco de como foi a sua passagem na seleção brasileira.
Muito boa, com vitórias, me sentia feliz em representar o País e vestir o uniforme junto com Luis Claudio foi um orgulho.

Você sentiu muita diferença na mudança de Amador à Profissional?
Quando eu fui para o profissional já achava que tinha condições de manter os nocautes e me tornar campeão mundial, o nível aumentou, mas eu queria mudar a história da minha família e colocava essa vontade nos golpes.

E no profissional, qual foi o adversário mais duro?
Acho que Joel Casamayor, ele abriu um corte no meu rosto, os rounds foram duros. Ali após a vitória veio o meu segundo título mundial e eu falei para mim mesmo que eu era um bom pugilista.
Na derrota para Corrales, eu estava vencendo bem a luta até a conclusão do 10º round, na coletiva ele admitiu que não sabia porque eu não finalizei a luta após um golpe que ele sentiu, talvez por isso ele não me deu a revanche.

Como está sua preparação para sua volta?
Muito boa, contando com a ajuda de amigos. Estou focado, evoluindo fisicamente e morando em Santos, no local da luta, já pra sentir o clima.

Fale um pouco sobre a preparação de atletas, quem são seus maiores talentos?
O grande talento hoje do meu Projeto Social é o meu sobrinho, Vítor Jones, ele entrou no Instituto Acelino Popó Freitas aos 9 anos de idade e hoje chegou ao profissional com um cartel de 9 vitórias, a algumas delas por nocautes nos EUA. Já formamos campeões brasileiros, latinos, sul-americanos, atletas de seleção, mas Vítor esta caminhando para um título mundial, só depende dele.

Algum desses boxeadores estará na Arena Santos no dia 18 de julho?
Eu acredito que Vítor estará, talvez até dispute o cinturão latino, mas os empresários e organizadores do evento que resolvem isso.

Você pensa em fazer algum combate fora do Brasil também?
Com certeza, a intenção é essa, vencer 3 lutas e ficar bem ranqueado para quem sabe mais uma disputa de título mundial.

Como está formada a sua equipe de treino atualmente?
Meu técnico há 12 anos é Ulisses Pereira, meu irmão Luís Cláudio e Vítor vieram de Salvador para ajudarem por uns dias aqui, Isaac e os meus amigos sparrings também estão comigo nessa fase.

Você e Rodrigo la Hiena Barrios tiveram um combate duríssimo em Miami, há alguns anos trocaram farpas pelas redes sociais. Há alguma possibilidade de vocês lutarem novamente?
Ele é muito competitivo nos ringues e valorizou muito aquela minha vitória, sem dúvida, mas acredito que não há possibilidade, me informaram que ele não está numa situação física legal. Desejo boa sorte a ele.

Como você vê o Boxe mundial atualmente? Quem são os melhores, boxeadores da atualidade na sua opinião?
Muito vivo no exterior, produzindo lutas como a do século que movimentou milhões e atraiu multidões. Os melhores são Pacquiao e Floyd,  mas temos bons lutadores como Lucas Matysse, Cotto, GGG, Canelo.

Você está focado para disputar um cinturão em um dos quarto maiores organismos?
Sim, de preferência ficar bem no cenário e futuramente um Cinturão Mundial, um Penta, mas posso disputar um Cinturão Latino antes disso, segundo meu empresário, Sóstenes Marchezine. 

Para finalizar e falando em futebol, você gosta? Torce para algum time?
Gosto e jogo futebol toda semana com meus amigos de infância. Tenho um campo em minha casa que parece a La Bombonera, jogo no ataque.  Torço pelo São Paulo que me patrocinou por um tempo e pelo Vitória-BA, time do coração.

Por favor deixe uma mensagem aos fans:
Um abraço a todos, fiquem ligados na minha luta, deixa comigo!

Por Márcio Reginatto – Boxeando.Net