Soledad Matthysse

mathysse3Entrevistamos a Soledad Matthysse, campeã mundial WBA e WBC, dois dos organismos mais importantes do Boxe mundial. Soledad nos conta sobre sua carreira e sua família tradicional no esporte dos punhos, 

1 – Como você chegou ao Boxe?
Cheguei aos 23 anos quando tive a última de minhas três filhas, fui à uma academia para baixar o que tinha engordado na gravidez e treinava somente a ginástica do Boxe e um pouco no saco. Treinava com o ex-campeão mundial Mingo Malvares. Logo mudei para uma academia onde treinavam boxeadores y boxeadoras para competir.

Na realidade na minha família sempre se respirou Boxe, meu pai Mario Edgardo Matthysse era boxeador profissional na categoria 66kg nos anos 80, junto ao mi tio Miguel Ángel Steimbach (irmão de minha mãe), minha mãe aos 46 anos quis sentir essa sensação de estar em cima de um ringue comoçou a treinar e se inscreveu em um campeonato amador foi campeã provincial,  mas  foi esse combate somente, meus pais são nascidos em Esperanza, província de Santa Fe, meu irmão mais velho Walter e eu também. Meus pais tiveram que deixar Santa Fe e ir ao sul da Argentina para seguir sua carreira de boxeador profissional, lá nasceram meus irmãos menores Lucas e Jenifer.

2- Conte como foi quando você mudou de academia?
Nesta época técnicos eram Raúl Montesino e Félix Chiquichano, me preguntaram se eu queria competir e não duvidei em dizer que sim, a parte meu irmão mais velho Walter era boxeador profissional e Lucas ainda era amador e fazia parte da seleção argentina.

Com Montesino e Chiquichano fiz nove combates amador viajei para competir em diferentes lugares, como Comodoro Rivadavia, Puerto Madrin, San Julián, San Martin, Rio Gallegos, Rio Grande e participei do campeonato argentino en Agosto del 2004, até que em 2007 que debutei como boxeadora profissional.

3- Sua família é tradicional de boxeadores, mas como reagiram quando souberam que começa a boxear?
Quando comencei a boxear, minha família não gstou muito, mas sempre tive o apoio deles.

4- Conte um pouco sobre su família e a relação com o Boxe.
A relação com o Boxe e com minha família é muito forte, como disse antes, meu pai Mario Matthysse foi boxeador, meu tio por parte de mãe, Miguel Ángel Steimbach, El gringo (já falecido), inclusive minha mãe também uma vez calçou as luvas, meu irmão mais velho Walter el Terrible Matthysse e sua esposa Yanina que também fez alguns combates amatedor, agora já retirada, eles me deron 3 sobrinhos Nerina que está decidida em boxear e já está treinando com minha equipe, Milena e Ezequiel de 17 que agora está nos Estados Unidos e compete como boxeador amador. Depois estão meus irmãos menores, Lucas La Máquina Matthysse, que mora em Junin há 10 anos com sua esposa e sua filha. Tenho uma irmã menor, se chama Jenifer, mas ela não é boxeadora.
Eu me casei com Mario Narváez, boxeador profissional que também vem de uma família de boxeadores. Mario é meu atual treinador junto ao meu pai.
E então vem a outra parte da família, meus cunhados Omar el Huracán Narváez , Jorge que foi boxeador amador, Daniel Narváez boxeador profissional e Marcelo Gutierrez que também foi boxeador e hoje é técnco. Está também Vanesa Taborda (esposa de Marcelo Gutierrez) que a poucos dias combateu no México por segunda vez pelo campeonato internacional WBC com a boxeadora mexicana Mariana Barbie Juarez.

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5 – Seus familiares dão conselhos sobre Boxe?
Minha família sempre me dá conselhos, meu pai se encarrega de ver os vídeos da minhas rivais e tira suas conclusões, mas sempre todos me aconselhan, até minha mãe.

6- Como foi quando passou ao Boxe profissional?
Quando debutei como profissional me suspenderam um ano por um título que tinha sido disputado no mesmo evento, o título em questão foi entre Claudia Lopes que se coroava campeã mundial galo UBC, ante Maria del Carmén Potenza. Não sei que problemas houve neste combate, mas suspenderam a todos, inclusive a mim. Como esse ano ninguém fazia nada por arrumar meu estado, sentia que me estavam deixando de lado, enquanto meus colegas de academia seguiam boxeando e eu não. Até que decidi novamente mudar de academia, além disso, não gostava muito do ambiente e estavam focados em outros boxeadores, acho que não acreditavam no meu potencial.
Fui treinar na academia de Américo Robledo, com ele fiz 3 combates profissionais, mas também decidi deixar essa academia. Sentia que usavam meu sobrenome e faziam eu me dar conta disso, como eu queria lutar boxear não me dava conta que ficavam com muito do pouco que eu ganhava.
Nessa época chegava o Team Narváez com meus cunhados Omar, Daniel, Jorge e Marcelo. Estavam treinando em Córdoba, então fui com meu marido treinar com eles. Me acomodaram muito minha técnica.
Com o Team Narváez fiz 21 combates profissionais, dois deles no México com as grandes campeãs Jakie Nava e Yasmin Rivas nas cidades mexicanas de Tijuana e Rio Bravo respectivamente.

7- Além do Boxe, praticaste ou practica algum outro esporte?
O único esporte que pratico atualmente é o Boxe, quando menina pratiquei Karate, Basquete e Ginástica Acrobática, mas nunca me chamou atenção como para por todo foco como no Boxe.

8- Como está formada sua equipe atualmente?
Meu grupo técnico está composto por meu marido Mario e meu pai, eles estão no meu corner. Tenho também meu preparador físico que me preapara pela manhã de 7 à 10, se chama Peto Ruiz.

9- Você gosta de MMA, alguma vez pensou em competir nesa modalidade?
Sim, gosto de MMA, às vezes vou com meu marido ver, mas me impressiona um pouco, os lutadores saem muito machucados, inclusive as mulheres, acho que não faria um combate de MMA.

10- Atualmente você é a campeã mundial WBC e WBA na divisão pena, conte um pouco como foi a emoção de ser vencedora em dois organismos tão importantes no Boxe Mundial.
Quando ganhei meu primeiro cinturão (WBA) foi uma alegria enorme, nesse momento passou pela minha cabeça imagens desde quando eu iniciei meus treinamentos até o dia de hoje como um flash, foi algo muito louco. Esse combate foi contra a venezoelana Ogleidis Suarez, todos diziam que eu era mais fraca, mas eu pude mostrar que não era assim, a cada round eu era cada vez mais forte e surprendi à todos, foi como um sonho essa noite,

Logo veio a oportunidade defender esse título, e ainda unificar com um cinturão WBC, a campeã já havia feito seis defesas, uma nocauteadora e muito boa boxeadora. Me surprendi, sabíamos que era dificil, mas não impossível, mas se perdia esse combate, perdia tudo, nos focamos dois meses nesse combate, estudando e vendo seus erros. Foi um trabalho duro de equipe e pude ficar com os dois títulos, foi uma alegria imensa, tanto para mim como para minha equipe. Saiu como eu sonheir, durante duas semanas antes do combate, sempre nos meus sonhos, eu sonhava que ganhava e meu sonho virou realidade.

11- Por favor deixe uma mensagem aos fans do Boxe e às meninas que estão começando no Boxe.
Minha mensagem é que esse esporte é lindo se é praticado com amor, muita responsabilidade e seriedade. Não é fácil, mas se a pessoa se propões mete, as pode alcançar. Uma frase que eu gosto e sempre digo é: O segredio é treinar duro.
Muito Obrigada!

Por Márcio Reginatto